
A Start Campus admite que o projecto do centro de dados em Sines poderá vir a ser afectado pelo diferendo judicial entre a EDP e o Estado português relacionado com o sistema de captação e restituição de água do mar da antiga Central Termoeléctrica de Sines.
Em causa está a titularidade das infraestruturas marítimas que durante décadas serviram a central da EDP e que são consideradas essenciais para o modelo de arrefecimento previsto para o Sines Data Center Campus. A empresa pretende utilizar água do mar para arrefecer os servidores, reduzindo a pressão sobre os recursos hídricos locais. Segundo a Start Campus, a empresa está a acompanhar o novo enquadramento legal e mantém a expectativa de que as entidades competentes consigam evitar impactos negativos no desenvolvimento do projecto.
O objectivo, sublinha a empresa, continua a ser garantir o arrefecimento da infraestrutura através de água do mar, assegurando maior eficiência e sustentabilidade.O diferendo surge depois de o Governo ter integrado na concessão da Águas de Santo André estruturas associadas à antiga central, incluindo molhes de protecção e sistemas de captação e devolução de água. A EDP contesta esta decisão em tribunal, por entender que está em causa a propriedade de infraestruturas anteriormente ligadas à central termoeléctrica, encerrada em 2021.
A Start Campus tinha estabelecido com a EDP um acordo para a utilização daquele sistema, uma peça considerada importante para o funcionamento futuro do campus tecnológico. O plano passa por captar água do mar junto a São Torpes, utilizá-la no arrefecimento dos equipamentos e devolvê-la posteriormente ao mar. Nesta fase, o projecto já conta com um edifício em funcionamento e outro em construção. A empresa tem defendido que a solução baseada em água do mar permite limitar o consumo de outros recursos hídricos e tornar o centro de dados mais eficiente do ponto de vista ambiental.
O Sines Data Center Campus é apresentado como um dos maiores projectos tecnológicos em desenvolvimento na Europa, podendo representar um investimento global até 10 mil milhões de euros. O litígio entre a EDP e o Governo acrescenta agora uma nova incerteza ao processo, embora a Start Campus mantenha confiança numa solução institucional que não comprometa a concretização do investimento em Sines.