Lado B: “Sines – Que Futuro? É urgente planear o crescimento.”

Depois do livro “HABITAR A VIDA”, que apresentei em fevereiro de 2024, continuei a escrever e a publicar no Facebook o que poderemos designar de crónicas, sobre os mais variados assuntos, com natural predominância de observações e propostas para a minha terra.

Volto agora ao meu portátil porque é urgente que se pense e debata sobre as consequências do acelerado crescimento, que já se começou a verificar e a sentir no dia a dia da nossa cidade. Afinal os investimentos já aí estão e mais virão e com eles o crescimento do número de trabalhadores e, consequentemente, o número de residentes já começou a crescer e muito.

Devo destacar que considero que, para além de Sines, também Vila Nova de Santo André e mesmo Santiago do Cacém poderão acolher o enorme crescimento – fala-se em 10.000 postos de trabalho, o que corresponderá a cerca 30.000 novos residentes. Claro que esta circunstância impõe que se elabore um plano integrado, constituído pelas 3 cidades, Sines, Vila Nova de Santo André e Santiago do Cacém. Tal crescimento, como é óbvio, tem consequências nas acessibilidades, nas infraestruturas de saúde, de educação, de segurança, etc… mas tem também consequências no desenho urbano, no desenho das cidades.

Concentrando-me agora na cidade de Sines, Repito, considero que não pode ser apenas o concelho de Sines a resolver os problemas originados pelo enorme crescimento previsto, nomeadamente na área da habitação, mas Sines pode ainda acolher alguns milhares de fogos, bastando para o efeito que se executem integralmente os Planos de Pormenor existentes e se planifiquem novas áreas, até agora sem qualquer uso ou com usos ilegais, dentro do perímetro urbano. Refiro-me, designadamente, à grande área de terreno existente entre o Bairro dos 124 fogos e a zona comercial, bem como toda a zona da Baixa de São Pedro até à nova via de acesso à ZIL II.

O Estado (administração central) e a própria Câmara Municipal de Sines são proprietárias de grande parte dos terrenos abrangidos e, tendo em conta uma certa densificação dessas áreas, poderemos ter aí soluções de habitação a custos controlados que, evidentemente, é o que a classe média e média baixa necessitam. Isto para além da promoção pública para arrendamento apoiado, de valor compatível com o rendimento da população de menores recursos. Dito isto, vou abordar temas específicos ou zonas da cidade onde se impõe um novo desenho urbano. Mas antes disso, devo esclarecer que também considero que urge uma intervenção de largo alcance no espaço público. Essa deve ser a prioridade das prioridades. Calçadas danificadas, caldeiras sem árvores, árvores mal localizadas ou de características inadequadas e a limpeza geral do espaço público deviam e devem merecer uma atenção especialíssima e urgente. Isto não deve por em causa o necessário e urgente planeamento, tendo em conta o crescimento esperado.

Feita esta ressalva, vou agora abordar uma zona de grande dimensão na periferia da cidade que designarei de Zona Comercial e Zona Desportiva – em tempos designada de cidade desportiva. Muito mal desenhada, a zona comercial que devia ter um desenho semelhante a um retail parque, é um aglomerado de lotes individuais, cada um com o seu parqueamento, sem ligações pedonais adequadas entre si, separada por uma estrada que deveria ter sido desenhada como de acesso à zona e não de atravessamento. Zona comercial na periferia, mas muito perto do perímetro urbano, sem acessibilidades pedonais confortáveis e seguras. Zona desportiva que, por razões de propriedade do solo, não respeitou o plano da cidade desportiva que para ali foi projetada e, claro, devendo ser uma zona acessível a todos os cidadãos, não tem nenhuma ligação pedonal à área urbana.

Considerando tudo isto, é essencial a requalificação urbana e a substancial melhoria de qualidade de vida urbana dos residentes, sendo igualmente uma oportunidade para a completa integração destes dois espaços da cidade (incluindo também a construção de habitação), isto é, é necessário elaborar um plano urbanístico que, acolha o crescimento habitacional com a melhoria da ligação à cidade e mitigue os erros de conceção.

Façamos cidade.

Autor: Carlos Silva

Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos seus leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.

Deixe um comentário