
O crescimento dos centros de dados poderá alterar de forma significativa o consumo de electricidade em Portugal. Caso avancem alguns dos principais projectos previstos, estas infraestruturas poderão vir a representar perto de metade da energia eléctrica consumida anualmente no país.
Em 2025, o consumo de electricidade abastecido pela rede pública atingiu 53,1 terawatts-hora. Uma parte importante do aumento futuro deverá estar associada aos centros de dados, instalações que funcionam praticamente de forma permanente e exigem grandes quantidades de energia para servidores, refrigeração e segurança.
O maior projecto em desenvolvimento é o SINES DC, da Start Campus, que prevê atingir uma capacidade total de 1,2 gigawatts, distribuída por seis edifícios. Quando estiver concluído e a funcionar próximo da capacidade máxima, o complexo poderá consumir mais de 10 terawatts-hora por ano, o equivalente a cerca de 20% do actual consumo nacional.
Nos últimos anos, os pedidos de ligação de centros de dados à rede eléctrica chegaram a ultrapassar os 26 gigawatts, embora muitos projectos se encontrem ainda numa fase preliminar. Após a introdução de regras mais exigentes, foram apresentadas 29 manifestações de interesse, correspondentes a cerca de 5,6 gigawatts de potência. Mesmo que apenas parte destes investimentos avance, o impacto será elevado. Um consumo permanente de três gigawatts poderá representar mais de 26 terawatts-hora por ano, aproximadamente metade da electricidade utilizada actualmente em Portugal.
A concentração destes investimentos poderá também reforçar o papel de Sines como um dos principais pólos digitais do país, beneficiando da proximidade dos cabos submarinos internacionais, das infraestruturas energéticas e da disponibilidade de espaço industrial. Ao mesmo tempo, coloca novos desafios ao planeamento do território e à capacidade de resposta das redes eléctricas. O recurso a energias renováveis não elimina todos os desafios, uma vez que a produção solar e eólica varia, enquanto os centros de dados necessitam de fornecimento contínuo.
Será necessário reforçar as redes, aumentar a produção, desenvolver armazenamento e garantir que os custos das novas infraestruturas não sejam transferidos de forma desproporcionada para famílias e empresas.