
Luís Represas, cantor, compositor e uma das figuras mais reconhecidas da música portuguesa, morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. A notícia foi confirmada pela agência Sons em Trânsito, responsável pela representação do artista.
Nascido em Lisboa, a 24 de novembro de 1956, Luís Represas iniciou o seu percurso musical ainda jovem e foi, em 1976, um dos fundadores dos Trovante, grupo que viria a tornar-se uma referência da música popular portuguesa no período posterior ao 25 de Abril. Ao lado de nomes como João Gil e Manuel Faria, deu voz a temas que atravessaram gerações, entre os quais “Perdidamente”, “125 Azul”, “Balada das Sete Saias”, “Timor” e “Saudade”. Depois do fim da banda, Luís Represas construiu uma longa carreira a solo, marcada por canções como “Feiticeira”, “Da Próxima Vez”, “Colibri”, “Neva Sobre a Marginal” e “A Hora do Lobo”.
Ao longo de várias décadas, manteve uma presença regular nos palcos e continuou a afirmar-se como intérprete e autor de algumas das canções mais reconhecidas da música portuguesa. O músico encontrava-se a assinalar 50 anos de carreira e tinha previstos vários concertos comemorativos, tanto a solo como com os Trovante. A sua morte interrompe um ano que deveria representar uma celebração de meio século de música e de um percurso profundamente ligado à memória coletiva portuguesa.
Além da música, Luís Represas ficou também associado à defesa da causa timorense, tendo acompanhado o então Presidente da República, Jorge Sampaio, numa visita oficial a Timor-Leste. Foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito e recebeu ainda a Medalha da Ordem de Timor-Leste.
Com a morte de Luís Represas, desaparece uma das vozes mais reconhecíveis da música portuguesa contemporânea, deixando uma obra construída entre os Trovante e uma carreira a solo que marcou diferentes gerações.