
A Start Campus procurou antecipar o reforço de potência elétrica necessário para a expansão do centro de dados em Sines, propondo a transferência temporária de 12,5 MVA da rede de transporte para a rede de distribuição. O pedido foi apresentado à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) no início de 2025, com o objetivo de assegurar o fornecimento de energia ao crescimento da infraestrutura.
Segundo a informação agora conhecida, a empresa defendia que não estava a solicitar nova capacidade elétrica, mas apenas a utilização temporária de parte da potência que já lhe tinha sido atribuída na rede de transporte, até que fosse concluída a atribuição definitiva na rede de distribuição. A DGEG não se opôs à proposta, entendendo que não existiria prejuízo para outros promotores, desde que também não houvesse oposição por parte da REN. No entanto, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) emitiu um parecer desfavorável, considerando que a solução pretendida não tinha enquadramento legal no âmbito do procedimento excecional em vigor e que poderia comprometer a igualdade de tratamento entre promotores que também tinham solicitado capacidade na rede de distribuição.
Apesar desse parecer, a Start Campus acabaria por reforçar a potência disponível através dos mecanismos gerais de acesso à rede de distribuição. A empresa esclarece que o primeiro pedido para atribuição definitiva dos 12,5 MVA foi apresentado à E-Redes em dezembro de 2024 e que, em julho de 2025, lhe foi comunicada a atribuição de um aumento de potência para 37,5 MVA, permitindo responder às necessidades da expansão do centro de dados.
O caso evidencia os desafios associados ao acesso à capacidade das redes elétricas num momento em que Sines continua a concentrar alguns dos maiores investimentos tecnológicos e industriais do país, com a disponibilidade de energia a assumir um papel determinante para o desenvolvimento de projetos de grande dimensão.