Forte da Verdade | Afinal, o data center de Sines vai consumir que água?

Uma das dúvidas que mais tem surgido em torno do projeto da Start Campus, em Sines, é se o data center vai consumir grandes quantidades de água da rede pública. De acordo com a informação técnica divulgada pela empresa, a resposta é não.

O sistema principal de arrefecimento do centro de dados foi concebido para recorrer à água do mar, aproveitando as infraestruturas de captação e rejeição da antiga Central Termoelétrica de Sines. A água é captada no oceano, utilizada para dissipar o calor através de permutadores e devolvida ao mar, sem entrar em contacto com os equipamentos informáticos. Isto significa que o arrefecimento dos servidores não foi projetado para depender de água potável ou de água doce.

A água da rede pública destina-se apenas às necessidades normais de funcionamento do complexo, como instalações sanitárias, consumo humano e outros serviços de apoio. Na fase atual do projeto existe ainda um consumo limitado de água industrial em alguns sistemas auxiliares de arrefecimento. No entanto, a Start Campus afirma que o objetivo é que, quando o campus estiver totalmente desenvolvido, o arrefecimento seja assegurado através da utilização de água do mar, eliminando a necessidade de recorrer a água doce para essa finalidade. Como qualquer empreendimento desta dimensão, o projeto deve continuar sujeito a acompanhamento ambiental rigoroso.

Questões como a temperatura da água devolvida ao mar, os potenciais impactos nos ecossistemas marinhos e o cumprimento das condições impostas pelas autoridades competentes merecem escrutínio permanente. Mas esse escrutínio deve assentar em factos. Com base na informação técnica disponível, não é correto afirmar que o data center foi concebido para consumir grandes quantidades de água da rede pública para arrefecer os servidores.

O modelo apresentado pela empresa assenta precisamente na utilização da água do mar como principal recurso de arrefecimento.

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