Estado regressa à REN numa altura em que Sines exige investimentos históricos na rede elétrica.

O Estado português vai regressar ao capital da REN – Redes Energéticas Nacionais, 12 anos depois de ter deixado de ser acionista da empresa responsável pelas redes nacionais de transporte de eletricidade e gás. Através da Parpública, o Governo acordou a compra de 13,7% da REN à Pontegadea Inversiones, sociedade de investimento de Amancio Ortega, numa operação que ainda depende do visto do Tribunal de Contas. O valor final da aquisição não foi divulgado, embora a participação estivesse avaliada em cerca de 324,7 milhões de euros tendo como referência a cotação da empresa.

A operação ganha particular relevância para Sines, onde a REN tem pela frente um dos maiores desafios de expansão da infraestrutura elétrica nacional. O Governo já aprovou 536 milhões de euros de investimentos específicos na Rede Nacional de Transporte associados à Zona de Grande Procura de Sines, destinados a responder ao forte aumento da procura de eletricidade por parte de novos consumidores industriais. O objetivo é criar capacidade adicional de ligação à rede que poderá chegar aos 5,9 GW, através de um plano desenvolvido em várias fases até 2031. Sines foi oficialmente classificada como Zona de Grande Procura, refletindo a concentração de projetos industriais e grandes consumidores de eletricidade previstos para a região. A pressão sobre a rede tornou-se particularmente evidente quando a REN identificou, em 2024, 1.316 MVA de capacidade anteriormente atribuída mas não utilizada por instalações de consumo com ligação prevista à Rede Nacional de Transporte em muito alta tensão na zona de Sines.

O reforço da infraestrutura já se traduz também em novos projetos no território, entre os quais a nova Subestação de Santo André e respetivas ligações a 400 kV, promovida pela REN. É neste contexto que a entrada do Estado no capital da empresa ganha especial interesse para Sines. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, justificou a aquisição com a necessidade de salvaguardar o interesse estratégico nacional e permitir ao Estado participar nas decisões relacionadas com os investimentos da REN, além da intenção de contribuir para uma redução dos custos da energia. A participação de 13,7%, contudo, não representa uma renacionalização nem dá ao Estado o controlo da empresa. A chinesa State Grid continua a ser o maior acionista, com 25% do capital.

om Sines a concentrar investimentos ligados à indústria, energia, hidrogénio e economia digital, a capacidade da rede elétrica tornou-se uma das condições essenciais para que muitos destes projetos possam avançar. O regresso do Estado ao capital da REN acontece, assim, num momento em que Sines está no centro de uma profunda transformação da rede energética portuguesa, com centenas de milhões de euros de investimento previstos para garantir capacidade elétrica suficiente para os projetos que pretendem instalar-se na região.

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