Lado B: “Sines, que futuro? Altas temperaturas, aí estão as alterações climáticas”.

Começo esta reflexão com uma justificação. Em alguns dos textos que tenho escrito, os amigos que regularmente me acompanham já terão dado conta que costumo dizer já ter defendido as ideias que aqui escrevo há dez anos ou até há muito mais tempo, mas infelizmente essas ideias nunca foram acolhidas por quem tinha poder para as concretizar. Digamos que porque não concordavam com essas ideias ou apenas porque não!

O Calimero é que se queixava muito de não gostarem dele ou não lhe prestarem atenção. Não é o meu caso, faço referência a já ter transmitido antes essas ideias e, portanto, de alguma maneira as repito, agora de forma mais amadurecida. Esta circunstância não reduziu o interesse que continuo a ter pelos temas que, de alguma forma, estão relacionados com a melhoria urbana das cidades e das condições de vida dos cidadãos.

No caso presente, vamos falar sobre Sines. Como é sabido Sines localiza-se num cabo na Costa Alentejana e essa localização proporciona uma temperatura mais amena do que acontece no interior do Alentejo, aliás basta que nos desloquemos 20 quilómetros para o interior e as temperaturas são muito mais altas ou muito mais baixas conforme a estação do ano. Por muito que alguns continuem a negar, as evidências estão aí. As alterações climáticas vêm fazendo o seu caminho e promovendo catástrofes naturais e um aumento global da temperatura. Pois é, também Sines sofre com essas alterações. Também Sines tem tido recentemente temperaturas muito mais altas do que era costume.

Pensando nestas questões, e na mais que provável escassez dos recursos hídricos, já há mais de 20 anos defendia, na minha candidatura autárquica, que se deveria promover alterações significativas no espaço público. Deveria ser implementado um plano de plantação de árvores adequadas e localizadas, por forma a não reduzir os passeios e não provocar danos originados pelas raízes, certamente provocadas por um tipo de arborização que não é compatível com o revestimento de passeios e dos arruamentos.

É da maior importância que o espaço público seja predominantemente espaço de estadia e de sombra e com uma maciça arborização poderemos obter uma significativa redução da temperatura. Veja-se o exemplo do Jardim da Alameda da Paz onde se sente bem a diferença de temperatura. É da maior importância que se eliminem pequenos espaços relvados que não contribuem em nada para o bem-estar da população e são um sorvedouro de água e de elevados custos de conservação. Os espaços de arrelvamento devem ser de maior dimensão, tipo Jardim da Alameda da Paz, ter um coberto tipo prado (de mais fácil manutenção e menores exigências hídricas) e os pequenos espaços deverão ser substituídos por árvores e arbustos adequados a cada local. É ainda da maior importância que os espaços verdes tenham rega automática, evitando assim regas manuais normalmente geradoras de grande desperdício de água e que, por vezes, são realizadas a horas impróprias de muito calor. Poderemos assim ter um concelho onde se viva melhor e onde as altas temperaturas serão mitigadas e o desperdício de água será contido.

Autor: Carlos Silva.

Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos seus leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.

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