
O crescimento do agronegócio brasileiro e o reforço das relações comerciais entre a América do Sul e a União Europeia poderão abrir uma nova frente de desenvolvimento para o Porto de Sines, sobretudo nos segmentos dos granéis agroalimentares, carga contentorizada e produtos refrigerados.
O Brasil fechou 2025 com um novo máximo nas exportações do agronegócio, que atingiram 169,2 mil milhões de dólares. A União Europeia manteve-se entre os principais mercados de destino, com importações avaliadas em 25,2 mil milhões de dólares.
Para Sines, a oportunidade começa na geografia. Situado na fachada atlântica da Península Ibérica e junto às principais rotas entre a América do Sul e a Europa, o porto pode funcionar como ponto de entrada de cargas destinadas não apenas a Portugal, mas também ao mercado espanhol e, progressivamente, ao restante hinterland europeu. A infraestrutura portuária oferece igualmente argumentos.
O Terminal Multipurpose permite a movimentação de granéis sólidos, incluindo produtos agroalimentares, enquanto o Terminal XXI assegura os fluxos contentorizados e beneficia de serviços marítimos que ligam Sines a portos brasileiros. A capacidade para movimentar contentores refrigerados é também relevante para produtos como fruta, carne e outros géneros alimentares. A Administração dos Portos de Sines e do Algarve tem procurado desenvolver este mercado, promovendo Sines no Brasil junto de carregadores, operadores logísticos e companhias de navegação. O setor da fruta surge como um dos segmentos com potencial, perante a procura dos exportadores brasileiros por soluções competitivas para chegar ao mercado europeu.
Mas o verdadeiro valor deste tráfego dependerá da capacidade de Sines ir além da simples movimentação portuária. A proximidade da Zona Industrial e Logística permite desenvolver operações de armazenagem, cadeia de frio, embalagem, transformação e distribuição, retendo na região uma parcela maior do valor acrescentado associado às mercadorias. Existe, contudo, uma variável decisiva: as ligações ao hinterland.
Para competir pela carga brasileira destinada à Europa, Sines necessita de corredores ferroviários e rodoviários eficientes para os principais centros de consumo e plataformas logísticas da Península Ibérica. A vantagem marítima existe; o desafio passa por transformá-la numa cadeia logística competitiva em terra. Se conseguir fazê-lo, o agronegócio brasileiro poderá tornar-se não apenas numa nova fonte de carga para o Porto de Sines, mas também num importante vetor de desenvolvimento logístico e industrial para a região.