
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, criticou, em Sines, a falta de ambição do Governo no reforço do Serviço Nacional de Saúde e alertou para as dificuldades sentidas no Litoral Alentejano, onde apenas cerca de 70% da população tem médico de família.
As declarações foram feitas no final de uma visita ao Centro de Saúde de Sines, integrada num roteiro de dois dias pela região destinado a avaliar as condições de prestação de cuidados e a contactar diretamente com os profissionais. Carlos Cortes considerou negativa a perspetiva de manutenção do atual número de médicos de família até 2028 e defendeu que o objetivo deve ser garantir este acompanhamento a toda a população.
No Litoral Alentejano, a Unidade Local de Saúde dispõe de menos de 100 médicos para servir cerca de 100 mil residentes, aos quais se junta uma população flutuante significativa, realidade particularmente sentida num concelho industrial e portuário como Sines. A falta de habitação a preços acessíveis foi também apontada como um dos principais obstáculos à atração e fixação de médicos e de outros profissionais essenciais.
A escassez de especialistas tem obrigado a Unidade Local de Saúde a recorrer a prestadores de serviços externos e a médicos sem especialidade, uma solução considerada instável. O bastonário defendeu a criação de mecanismos específicos para atrair profissionais para territórios como Sines e o restante Litoral Alentejano, sublinhando que as populações destas regiões devem ter acesso aos mesmos cuidados disponíveis nos grandes centros urbanos.
A Ordem dos Médicos deverá apresentar, durante a discussão do Orçamento do Estado, um conjunto de propostas destinadas a reforçar a atração de médicos para o SNS, incluindo para as áreas de medicina geral e familiar e medicina interna.