Chega exige esclarecimentos sobre negócio da REN com impacto em Sines.

O Chega dirigiu uma pergunta parlamentar ao Governo para esclarecer as circunstâncias da compra de 13,7% da REN – Redes Energéticas Nacionais pelo Estado, através da Parpública. A operação envolveu a aquisição de cerca de 91,7 milhões de ações à Pontegadea, sociedade de investimento do empresário espanhol Amancio Ortega, por um valor próximo dos 390 milhões de euros.

O partido liderado por André Ventura pretende saber quem teve acesso antecipado à informação, quem participou nas negociações e se existiam ligações financeiras à REN entre responsáveis políticos, gestores públicos, assessores ou outras pessoas envolvidas.

Questiona também se foram adotadas medidas para impedir a utilização de informação privilegiada e identificados eventuais conflitos de interesses. Estes pedidos não representam, até ao momento, a confirmação de qualquer irregularidade. As dúvidas surgem porque um despacho dos ministros das Finanças e da Economia, datado de 6 de julho, já tinha autorizado a Parpública a adquirir até 20% da REN, mas a compra dos primeiros 13,7% apenas foi comunicada ao mercado em 14 de agosto. O Estado terá pago 4,25 euros por ação, num negócio avaliado em 389,8 milhões de euros e com um prémio de cerca de 15% face à cotação média dos seis meses anteriores.

O assunto tem especial relevância para Sines, onde a REN Atlântico opera o Terminal de Gás Natural Liquefeito. A infraestrutura recebe, armazena e regaseifica o GNL antes da sua entrada na rede nacional de transporte, tendo assegurado, em 2024, 98% do abastecimento do Sistema Nacional de Gás.

A REN prevê ainda investimentos na modernização, segurança e adaptação do terminal de Sines. Com a compra, o Estado tornou-se o segundo maior acionista da empresa, atrás da chinesa State Grid, que detém 25%, podendo a Parpública continuar a adquirir ações até alcançar uma participação de 20%.

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