EPCOL admite que refinaria de Sines pode produzir mais e ganhar peso na estratégia energética europeia.

A refinaria de Sines poderá aumentar a produção de combustíveis, mas essa possibilidade depende de condições técnicas e económicas, segundo a associação das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol).

A avaliação surge numa altura em que a Comissão Europeia procura preservar a capacidade de refinação na Europa e reforçar o abastecimento. Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da associação, João Reis, explicou que produzir mais exige considerar a disponibilidade de petróleo e de outras matérias-primas, as características do crude utilizado e a procura dos diferentes combustíveis, como gasóleo, gasolina e combustível para aviação. As condições económicas da operação também serão determinantes.

No dia 28 de outubro, a Comissão Europeia reuniu com representantes da indústria para discutir medidas que permitam aproveitar melhor as refinarias existentes e responder às dificuldades no mercado energético. O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, defendeu o aumento da produção como contributo para aliviar os preços dos combustíveis. Bruxelas pretende ainda elaborar, em conjunto com o setor, um roteiro que concilie a segurança do abastecimento, a competitividade industrial e os objetivos de descarbonização. A Epcol considera que esta orientação poderá reforçar a importância estratégica da refinaria de Sines, embora não antecipe grandes alterações imediatas para o setor nacional. A associação defende que a Europa deve conservar a sua capacidade de refinação enquanto as alternativas energéticas não conseguirem assegurar plenamente as necessidades de abastecimento. Também a FuelsEurope recebeu favoravelmente a iniciativa europeia, alertando que, desde 2009, a Europa perdeu cerca de 20% da capacidade de refinação, com o encerramento de 35 refinarias.

Segundo a organização, novos encerramentos aumentariam a dependência de combustíveis importados. A indústria admite procurar soluções para elevar a produção a curto prazo, respeitando os limites técnicos, operacionais e de segurança das instalações. Única refinaria em funcionamento em Portugal, Sines dispõe de uma capacidade de destilação de 226 mil barris por dia, segundo a Galp. A localização junto ao porto de águas profundas constitui uma das vantagens do complexo, onde a empresa tem vindo a desenvolver investimentos em eficiência energética, biocombustíveis avançados e hidrogénio verde, no âmbito da transformação da atividade industrial.

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