Bloco de Esquerda pede suspensão de refinaria de antimónio prevista para Sines.

O Bloco de Esquerda manifestou-se contra a instalação de uma refinaria de antimónio em Sines e defende a suspensão do processo de reconhecimento do investimento como Projecto de Interesse Nacional.

Numa posição divulgada esta terça-feira, a estrutura de Santiago do Cacém do partido alerta para os possíveis impactos ambientais e de saúde pública associados à actividade industrial com antimónio, defendendo que devem ser divulgadas mais informações sobre o funcionamento da futura unidade, as matérias-primas utilizadas e o destino final do metal produzido. O antimónio é considerado uma matéria-prima estratégica, utilizada em diferentes sectores tecnológicos e industriais, incluindo na produção de equipamentos militares, sistemas electrónicos, baterias, retardadores de chama e dispositivos de visão nocturna.

O partido relaciona o investimento com o aumento da procura europeia por minerais críticos e com a necessidade de reduzir a dependência de países terceiros, nomeadamente da China, que ocupa uma posição dominante na produção e transformação mundial de antimónio. Para o Bloco de Esquerda, a instalação desta unidade poderá aumentar a exposição de Sines a actividades industriais com riscos ambientais, nomeadamente através de possíveis emissões atmosféricas e da contaminação dos solos e dos recursos hídricos.A força política critica ainda o modelo de industrialização previsto para a região, considerando que os grandes investimentos anunciados para Sines nas áreas dos centros de dados, hidrogénio, lítio e produção de aço poderão aumentar significativamente o consumo de energia e a pressão sobre o território. O partido considera que o crescimento industrial não está a ser acompanhado por respostas suficientes ao nível da habitação, saúde, educação, transportes e restantes equipamentos sociais necessários para a população e para os trabalhadores que poderão chegar ao concelho.

Perante estas preocupações, o Bloco de Esquerda pede ao Governo, à Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral e às autarquias locais que promovam uma sessão pública de esclarecimento sobre os impactos sociais e ambientais do projecto. O partido exige igualmente transparência sobre os futuros clientes da unidade e defende que o processo de reconhecimento como Projecto de Interesse Nacional fique suspenso até serem conhecidos e discutidos publicamente todos os elementos relevantes.

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