Comissão de Trabalhadores da Petrogal desafia Governo a esclarecer futuro da refinaria de Sines.

A Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal desafiou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a assumir uma posição pública e clara sobre o futuro da refinaria de Sines no âmbito do acordo entre a Galp e a espanhola Moeve.

A estrutura representativa dos trabalhadores considera que o Governo deve esclarecer quais as medidas que pretende adotar para garantir a continuidade da refinaria em Portugal e salvaguardar os postos de trabalho, numa altura em que o processo de integração dos negócios de refinação e comercialização das duas empresas deverá avançar durante o segundo semestre deste ano.

A CCT recorda que a associação SEDES alertou recentemente para a importância estratégica da refinaria de Sines, salientando que Portugal dispõe apenas desta unidade de refinação, enquanto Espanha conta com nove refinarias, defendendo que esta realidade reforça a necessidade de preservar um ativo considerado essencial para a autonomia energética nacional e para a segurança do abastecimento do país. Segundo a comissão, a operação poderá integrar a refinaria de Sines numa nova empresa sediada em Espanha, na qual a Galp ficará com uma participação minoritária, enquanto a maioria do capital será controlada pelos atuais acionistas da Moeve. Os representantes dos trabalhadores receiam que esta estrutura reduza a capacidade de decisão sobre um ativo estratégico e possa colocar em causa o conhecimento técnico, a investigação e o futuro do emprego associado à refinaria de Sines.

A CCT recorda ainda o encerramento da refinaria de Matosinhos como um exemplo que não deverá repetir-se em Sines, defendendo que qualquer cenário de encerramento deve ser afastado desde já. Os trabalhadores consideram ainda que o Governo deve assumir uma posição mais firme sobre o processo, argumentando que acompanhar a sua evolução não é suficiente quando está em causa uma infraestrutura considerada estratégica para Portugal.

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