Zero alerta para pressão dos centros de dados sobre sistema elétrico com impacto em Sines.

A rápida expansão dos centros de dados em Portugal está a aumentar a pressão sobre o sistema elétrico nacional, num processo com particular importância para Sines, onde estão projetados alguns dos maiores investimentos do setor.

O país conta atualmente com 48 centros de dados distribuídos por 11 cidades, sobretudo nas áreas de Lisboa e do Porto, mas as necessidades crescentes associadas à inteligência artificial poderão acelerar significativamente a instalação de novas infraestruturas. As previsões apontam para um cenário em que o setor poderá exigir até 41 gigawatts de potência, mais de quatro vezes a atual procura máxima nacional, levantando dúvidas sobre a capacidade da rede elétrica para responder simultaneamente aos novos projetos, às necessidades das populações e à descarbonização da economia.

A associação ambientalista Zero alerta também para a ausência de critérios vinculativos de sustentabilidade no Plano Nacional para os Centros de Dados, aprovado em abril. Além do elevado consumo energético, estas infraestruturas podem exigir grandes quantidades de água para refrigeração e ocupar extensas áreas, tornando necessária uma avaliação rigorosa dos impactos acumulados.

Em Sines, onde os centros de dados são apresentados como uma nova frente de desenvolvimento económico e tecnológico, o crescimento do setor deverá ser acompanhado por garantias claras sobre o abastecimento de energia, a utilização de água, a proteção ambiental e os benefícios efetivos para o território e para a população.

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