
O Porto de Sines pode vir a enfrentar uma pressão acrescida na sua competitividade devido à aplicação das novas regras europeias ligadas às emissões poluentes no transporte marítimo. Em causa está o regime ETS, que introduz custos associados ao carbono nos portos europeus e que poderá tornar mais atrativos alguns portos concorrentes fora da União Europeia, nomeadamente em Marrocos.
O alerta foi deixado pelo presidente da APS, Pedro do Ó Ramos, que chamou a atenção para o risco de fuga de carbono e de transferência de tráfego para portos marroquinos. A proximidade ao Estreito de Gibraltar coloca Sines numa zona particularmente sensível, uma vez que compete diretamente com plataformas como Algeciras, em Espanha, e Tanger Med, em Marrocos, considerado o maior porto de África e do Mediterrâneo.
Apesar da preocupação, o responsável da autoridade portuária mantém uma leitura otimista sobre o futuro de Sines. Pedro do Ó Ramos considera que o possível esgotamento da capacidade dos portos localizados no Estreito de Gibraltar pode representar uma oportunidade para Portugal, obrigando operadores internacionais a procurar alternativas com capacidade disponível no território europeu. Neste contexto, o novo terminal de contentores de Sines assume importância estratégica. O concurso deverá ser lançado até ao final do primeiro semestre de 2027, embora o Governo tenha previsto esse passo até ao final desse ano.
A intenção da APS é acelerar o processo e criar condições para captar investidores o mais cedo possível. O novo terminal representa um investimento estimado em 700 milhões de euros e deverá permitir uma capacidade anual de movimentação de três milhões de contentores, medida em TEU. A par deste projeto, está também em curso o processo de expansão do Terminal XXI, atualmente concessionado à PSA, cuja concessão decorre até 2049, mas que a empresa pretende prolongar.
Sines é hoje o 14.º maior porto europeu em contentores e dispõe atualmente de uma capacidade instalada de cerca de 2,7 milhões de TEU no Terminal XXI. A aposta em novas concessões e no reforço da capacidade portuária integra a estratégia nacional Portos 5+, que prevê entre três e quatro mil milhões de euros de investimento privado nos portos portugueses e o lançamento de 15 novas concessões até 2035.
Para Sines, o desafio passa agora por equilibrar a transição ambiental com a necessidade de manter competitividade internacional. A taxa europeia pretende reduzir emissões, mas o setor portuário teme que, se não forem criadas condições equivalentes para os concorrentes próximos, a medida possa penalizar portos europeus e beneficiar plataformas fora da União Europeia.
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