Ex-Presidente da APS José Luís Cacho lança livro e critica atraso na expansão do Terminal XXI.

O antigo presidente do Porto de Sines, José Luís Cacho, lança hoje, o livro “O Despertar dos Portos — De Aveiro a Sines: a reinvenção do sistema portuário português”.

A apresentação está marcada para as 17h30, no Museu do Oriente, em Lisboa. A obra, editada pela Tinta-da-China, percorre a evolução recente dos portos portugueses e defende a importância destas infraestruturas para a economia nacional, para a competitividade do país e para a ligação de Portugal às grandes rotas internacionais.

José Luís Cacho presidiu às administrações portuárias de Sines, Aveiro e Figueira da Foz. Foi também um dos fundadores da Associação dos Portos de Língua Oficial Portuguesa. No livro, o antigo gestor destaca o papel do ex-ministro João Cravinho na transformação do sistema portuário, nomeadamente através do “livro branco” Política Marítimo-portuária Rumo ao Século XXI, apresentado em 1998, documento que esteve na origem de várias alterações no setor, incluindo a adoção de um modelo empresarial de gestão que continua em vigor. A obra inclui ainda testemunhos de 20 protagonistas ligados ao setor, entre os quais António Costa Silva, Natércia Cabral e Jorge d’Almeida. A apresentação ficará a cargo do economista António Nogueira Leite.

Um dos pontos com maior ligação a Sines é a crítica à decisão governamental tomada em 2014, que, segundo José Luís Cacho, travou o desenvolvimento previsto para a expansão do Terminal XXI, o terminal de contentores do Porto de Sines. Para o antigo presidente da APS, uma decisão governamental deve estar sempre sustentada numa avaliação técnica. No livro, considera que os fundamentos usados na altura poderão não ter tido suporte técnico suficiente ou poderão ter partido de um cenário que classifica como irrealista. José Luís Cacho entende que essa decisão teve consequências negativas para o futuro do Porto de Sines e provocou um atraso de sete anos no desenvolvimento da infraestrutura.

Ao longo da obra, o autor defende ainda uma maior autonomia dos portos e uma ligação mais forte às regiões onde estão inseridos, articulando o modelo de gestão com as empresas, entidades públicas locais e estruturas políticas regionais. Para José Luís Cacho, os portos não devem ser vistos apenas como cais, guindastes e zonas de movimentação de mercadorias, mas como infraestruturas estratégicas integradas nas cadeias logísticas e na economia das regiões.

O livro procura, assim, reconstruir a evolução recente do sistema portuário português e contribuir para a discussão sobre o futuro do setor marítimo-portuário nacional.

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