Governo admite aprovar fusão Galp-Moeve se refinaria de Sines for salvaguardada.

O Governo admite viabilizar a fusão entre a Galp e a espanhola Moeve, desde que a operação salvaguarde a importância estratégica da refinaria de Sines, considerada um ativo essencial para o país.

Em causa está a possível integração dos negócios de refinação, petroquímica e combustíveis das duas empresas na Península Ibérica, uma operação que envolve diretamente a refinaria de Sines, a única refinaria de petróleo atualmente em funcionamento em Portugal.

O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, defendeu que é possível compatibilizar a operação empresarial com a defesa dos interesses nacionais, sublinhando que ativos desta dimensão exigem atenção especial por parte do Estado. A fusão prevê a criação de duas estruturas: uma ligada ao retalho de combustíveis e mobilidade, repartida entre Galp e Moeve, e outra para a área industrial, onde ficará integrada a refinaria de Sines. Nesta segunda estrutura, a Galp deverá ficar com uma participação minoritária, enquanto a maioria ficará associada aos acionistas da Moeve.

O processo tem levantado preocupações em Portugal precisamente pelo peso estratégico da refinaria sineense no abastecimento energético nacional, na atividade industrial e no emprego ligado ao complexo de Sines. O Estado português detém uma participação de cerca de 8% na Galp, através da Parpública, mas não tem atualmente poderes reforçados de controlo na empresa. A posição do Governo aponta, para já, para uma avaliação cautelosa da operação, com a garantia de que a refinaria de Sines continuará no centro das preocupações nacionais.

A decisão final dependerá dos termos concretos do negócio e das garantias dadas quanto à proteção do papel estratégico de Sines no setor energético português.

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