
A implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, teve em Sines uma expressão menos marcada pelo sobressalto revolucionário e mais pela transformação política e simbólica que se seguiu nos dias seguintes.
Ao contrário de Lisboa, onde os acontecimentos se concentraram entre a Rotunda, o Tejo e os Paços do Concelho, não há registo conhecido de um episódio revolucionário especial ocorrido em Sines nesse dia. Ainda assim, a então vila já revelava uma forte presença republicana antes da queda da monarquia. Na época, Sines era ainda freguesia do concelho de Santiago do Cacém, pelo que o poder municipal estava sediado nos Paços do Concelho de Santiago do Cacém.
Em Sines, a mudança republicana fez-se sentir sobretudo através da Junta da Paróquia. Quando a República foi proclamada, a Junta da Paróquia de Sines em exercício já era composta por republicanos. Gregório Camacho, Júlio Gomes da Silva, José Gaudêncio Faria e Miguel Gomes Espada tinham tomado posse em Dezembro de 1908.
De acordo com a legislação da época, a Junta era presidida pelo pároco, Luís Augusto Ramos Cid. No concelho de Santiago do Cacém, também a freguesia da vila e a do Cercal tinham presença republicana, embora a Câmara Municipal continuasse monárquica.
O reflexo local da mudança de regime tornou-se visível poucos dias depois. A 12 de Outubro de 1910, a Junta reuniu em sessão extraordinária para dar posse à Comissão Paroquial Republicana de Sines, presidida por José Marreiros da Rosa. Integravam também a comissão Júlio Gomes da Silva, José Gaudêncio Faria, Miguel Gomes Espada e José de Oliveira Borralho, nomes já ligados à organização republicana local. A primeira decisão simbólica de maior alcance surgiu a 20 de Outubro, apenas quinze dias depois da implantação da República.
A nova Junta avançou com alterações toponímicas em Sines, mudando nomes de ruas e largos da vila para referências associadas ao novo regime. Entre os nomes escolhidos estavam figuras e símbolos republicanos, como Teófilo Braga, Presidente do Governo Provisório, Cândido dos Reis, um dos organizadores da revolução, e designações como 5 de Outubro e República.
Em Sines, o 5 de Outubro não ficou, por isso, associado a confrontos ou a um grande episódio revolucionário local, mas marcou o início de uma nova fase política. A mudança fez-se sentir na organização da freguesia, na afirmação dos republicanos locais e até nos nomes dos espaços públicos, deixando na vila sinais concretos da passagem da monarquia para a República.
Imagem: Sines no início do Século XX.