
O projecto para instalar em Sines uma refinaria de antimónio ganha agora novo enquadramento estratégico, tal como já tinhamos avançado.
Depois de conhecida a reserva de terreno na Zona Industrial e Logística de Sines e a previsão de criação de 150 empregos directos, o Jornal Económico adianta que a iniciativa é promovida por portugueses e pretende afirmar-se como uma alternativa europeia à dependência da China neste mineral crítico.
A ACM – Alchemy & Critical Metals já reservou uma parcela de 131 mil metros quadrados na ZILS, através de acordo com a aicep Global Parques, com direito de superfície por 30 anos. A futura unidade deverá produzir 10 mil toneladas de antimónio metálico por ano, das quais 7.500 toneladas resultam de produção primária e 2.500 toneladas de processos de reciclagem.
O antimónio é considerado uma matéria-prima crítica pela União Europeia e tem aplicações em sectores como a defesa, semicondutores, energia, indústria tecnológica e mobilidade. A importância do projecto aumenta num contexto internacional marcado pela concentração da produção e refinação em poucos países, sobretudo na China, que tem imposto restrições à exportação de vários minerais estratégicos.
A China foi o principal produtor mundial de antimónio em 2025, seguida da Rússia e do Tajiquistão. Também nas reservas conhecidas, mantém uma posição dominante. Esta concentração tem pressionado as cadeias de abastecimento europeias e contribuído para a subida dos preços internacionais do metal. A produção da refinaria de Sines deverá destinar-se sobretudo ao mercado industrial europeu, no quadro dos objectivos definidos pela União Europeia para aumentar a capacidade interna de processamento de matérias-primas críticas até 2030.
A empresa assume que o projecto nasceu da identificação de uma vulnerabilidade estratégica europeia e que pretende criar capacidade própria de refinação em solo europeu. A ACM foi criada em Fevereiro deste ano e tem como sócios fundadores Isidro de Brito e João Joaquim Diniz. A empresa admite a entrada futura de novos investidores, mas afirma privilegiar uma base accionista de matriz portuguesa, de forma a manter o centro de decisão em Portugal num activo considerado estratégico.O investimento total ainda não foi divulgado.
De acordo com a empresa, o montante encontra-se em fase de consolidação e será confirmado no âmbito da decisão final de investimento. Também a estruturação do financiamento está em curso. O projecto avança agora para fases como licenciamento, engenharia de detalhe, financiamento e avaliação ambiental.
A ACM pretende ainda que a refinaria seja reconhecida como Projecto de Potencial Interesse Nacional. Apesar da proximidade com outros grandes investimentos previstos para Sines, incluindo a fábrica de baterias da CALB, os promotores garantem que o projecto é autónomo, embora admitam futuras sinergias com o ecossistema industrial da região, o Porto de Sines e iniciativas ligadas à transição energética e logística.