Sines é o concelho onde as rendas mais dispararam desde 2020.

Sines surge como o concelho português onde as rendas mais aumentaram desde o início da década, de acordo com uma análise do ECO/Local Online baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística.

Entre 2020 e 2026, a mediana do valor dos novos contratos de arrendamento habitacional no concelho subiu 152%, colocando Sines no topo nacional do agravamento das rendas.Em 2020, a renda mediana de uma habitação com 100 metros quadrados em Sines rondava os 581 euros. Em 2026, o valor passou para 1.465 euros. Na prática, uma família com dois salários mínimos, que no início da década conseguia suportar uma casa dessa dimensão com um vencimento, precisa agora de gastar um salário inteiro e ainda mais de metade do segundo.

A pressão nota-se também quando se compara a renda com o salário mínimo nacional. Em 2020, um salário mínimo permitia pagar, em termos medianos, uma casa com 109 metros quadrados em Sines. Hoje, esse mesmo rendimento só chega para cerca de 63 metros quadrados.O concelho passou rapidamente para o grupo dos mais caros do país.

No início da década, Sines era o 32.º município mais caro para arrendar. Em 2026, aparece apenas atrás de Lisboa, Cascais e Oeiras, com uma mediana de 14,65 euros por metro quadrado, acima do Porto. A subida acompanha a transformação económica do território, marcada pelo peso do porto, da indústria, da logística, dos projectos energéticos e tecnológicos e de investimentos como o centro de dados da Start Campus. A procura por habitação aumentou, mas a oferta disponível não acompanhou o ritmo.O fenómeno sente-se em todo o Alentejo Litoral. Além de Sines, também Grândola e Santiago do Cacém estão entre os maiores agravamentos do país, com subidas de 115% e 113%, respectivamente.

Ainda assim, Sines destaca-se pela intensidade do aumento e pela pressão registada no último ano. Os dados mostram que o crescimento económico e industrial do concelho está a ter reflexos directos no mercado habitacional, levantando uma questão cada vez mais evidente, de que trabalhar em Sines não significa, hoje, conseguir viver em Sines.

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