
Os atrasos na abertura da linha ferroviária Évora–Caia estão a afetar a competitividade do Porto de Sines e a sua ligação ao mercado espanhol.
A MSC suspendeu um serviço diário de mercadorias entre Sines e Sevilha, associado a um movimento estimado de 50 mil contentores por ano, passando a encaminhar essa carga por um porto espanhol. A ligação permitia utilizar Sines para embarcar ou desembarcar mercadorias dos navios, enquanto o comboio assegurava o transporte terrestre de e para a região de Sevilha. Com a suspensão, Sines perde o movimento marítimo associado a essas operações.
O presidente executivo da Medway, Carlos Vasconcelos, aponta agora 2028 para a disponibilização da nova infraestrutura, contrariando a previsão anteriormente anunciada de abertura no final de 2026 ou início de 2027. O projeto representa um investimento de cerca de 460 milhões de euros e deverá reduzir em aproximadamente 140 quilómetros o percurso ferroviário entre Sines e a fronteira espanhola, permitindo mais do que duplicar a capacidade de transporte.
Apesar da conclusão dos trabalhos de construção, a circulação continua dependente da sinalização e da certificação de segurança, processos afetados por dificuldades na contratação de entidades certificadoras e por furtos e vandalismo em equipamentos. Somam-se ainda os constrangimentos das obras na Linha de Vendas Novas, que também têm provocado perturbações no transporte ferroviário de mercadorias.